Problemas que atrapalham os adolescentes


As notas do seu filho pioraram de uma hora para outra? De repente, ele pintou o cabelo de azul e ficou agressivo com os professores ou com colegas? Ele só quer saber de dormir quando chega em casa? Deixou os estudos de lado? Esses comportamentos podem ser mais comuns do que se pensa na adolescência, etapa do desenvolvimento caracterizada por muitas alterações físicas, mentais e sociais. "Nem sempre o adolescente está preparado para tanta mudança. Não tem as informações sobre si mesmo, nem sobre o mundo, na qualidade e na quantidade adequadas às suas necessidades de respostas, aos seus questionamentos", afirma Miguel Perosa, psicoterapeuta e professor da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Problemas familiares, festas, drogas e choque de gerações são fatores que, há algumas décadas, vem tornando essa fase da vida ainda mais complicada e contribuem para a dificuldade dos jovens em se concentrar na escola. E essa lista só tem aumentado. No século 21, a internet e o celular se somam aos antigos problemas. Com tanta coisa nova, o professor diante da lousa parece pouco interessante. Tudo isso contribui para que muitos jovens tenham problemas na hora de estudar. O resultado é um desempenho escolar ruim ou uma queda momentânea nas notas.
É sempre bom ter em mente, no entanto, que ter problemas nessa fase é normal. "Filhos muito normais também devem ser motivo de preocupação", alerta Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). "Não é normal ter as escolhas definidas demais nessa idade. Ter problemas e dúvidas faz parte do desenvolvimento." Diante dessa situação, muitos pais e muitos professores ficam sem saber como agir com seus filhos adolescentes. Pensando nisso, entrevistamos psicólogos, educadores e coordenadores pedagógicos e listamos os principais problemas dos adolescentes na hora de estudar e o que fazer em cada caso para ajudá-los.
  A necessidade de se identificar com o grupo: "Quem sou eu como pessoa, adulto ser humano? É isso o que todos se perguntam ao entrar na adolescência", diz o professor Lino de Macedo. Ao deixar a infância, o adolescente descobre que existe uma individualidade na sua existência. É normal que ele procure definir quem é e, muitas vezes, até mude de estilo e comportamento ao passar da puberdade. "Nessa idade é importante pertencer a um grupo. Os jovens fazem coisas como mudar a cor do cabelo, beber e assumir comportamentos diferentes de uma hora para outra com esse objetivo", explica Lino de Macedo. O resultado é que, muitas vezes, essa mudança de comportamento pode acabar atrapalhando os estudos. Muitos, inclusive, vêem um desempenho ruim na escola como uma maneira de entrar para um grupo.
  Como a escola deve trabalhar?
O ideal é que a escola não reprima as tentativas dos adolescentes de adquirir uma identidade. Segundo Isabel Tremarin, coordenadora do Colégio Anchieta, emos, naturebas, roqueiros e alternativos podem conviver bem na escola. "Aqui, a restrição que fazemos é ao uso de roupas curtas", conta. Mas essa liberdade dada ao estudante deve vir acompanhada dos limites - ou seja, as regras ou combinados que a escola estabelece ou combina a priori. Mudanças nas regras podem existir desde que isso não afete o sistema pedagógico e que seja conversado com antecedência.
O que a família pode fazer?
"É muito importante ser honesto, falar o que incomoda e o que não incomoda", afirma Evely Boruchovitch. Segundo ela, o adolescente tem a necessidade de experimentar diferentes identidades. O melhor, nesses casos, é observar se há algo que realmente está atrapalhando os estudos do seu filho. Se ele pintou o cabelo de verde, mas continua indo bem na escola, talvez não haja motivo para preocupação. Use sempre o bom-senso.
 
Orientação Pedagógica

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